O Medo do Metanol Altera o Cenário da Vida Noturna em SP
Os recentes e preocupantes casos de intoxicação por metanol têm gerado um impacto significativo na rotina e nas vendas dos bares de São Paulo. A cautela dos frequentadores, somada às medidas de precaução adotadas pelos estabelecimentos, resultou em um visível declínio no número de clientes e numa mudança drástica nas preferências de consumo. Uma inspeção realizada em regiões movimentadas como Berrini, Itaim Bibi e Pinheiros revelou um cenário de mesas vazias nesta quinta-feira (2).
Detecção e Riscos da Intoxicação por Metanol
A crise de confiança se acentuou com as notícias do Ministério da Saúde, que registrou 59 notificações de intoxicação relacionadas ao metanol. Destas, 11 já tiveram a presença da substância confirmada por testes laboratoriais. O metanol é um álcool industrial extremamente tóxico, cuja ingestão é perigosa, podendo levar a complicações graves como cegueira, insuficiência de órgãos, coma e até a morte. A preocupação se concentra em bebidas alcoólicas que podem ter sido adulteradas com essa substância.
A Reação dos Bares e a Preferência do Consumidor
A reação dos estabelecimentos e dos consumidores foi imediata e diversificada. Enquanto alguns bares registraram uma queda abrupta na clientela, outros tomaram a decisão de suspender temporariamente a venda de destilados, focando em bebidas consideradas mais seguras. A insegurança fez com que o consumo de cervejas e chopes disparasse, em detrimento de coquetéis e bebidas “quentes”.
Casos Notáveis de Mudança de Hábito e Vendas
No Amarelinho das Batidas, a redução do movimento foi tão intensa que, segundo o garçom Fábio, o fluxo de pessoas está menor do que durante o auge da pandemia, com a queda na saída de drinques e o cancelamento de eventos. Proprietários, como Fernando Souza Lemos, do Carambolas, intensificaram a checagem da procedência, passando a guardar notas fiscais e a segurar o estoque de destilados, pois os clientes passaram a questionar mais a origem das bebidas.
Em Pinheiros, o bar Piticos optou por cancelar a venda de destilados por tempo indeterminado, servindo apenas cervejas e vinhos. A percepção de risco é generalizada: um cliente flagrado no Itaim Bibi resumiu o sentimento ao dizer que “Caipirinha não dá mais para beber”, preferindo uma cerveja por considerá-la mais segura. No Tatu Bola, a suspensão total da venda de destilados resultou em uma queda imediata no orçamento, demonstrando o peso financeiro da crise de confiança.
Conclusão:
A série de casos de intoxicação por metanol instalou um clima de cautela nos bares de São Paulo, afetando significativamente a venda de destilados e o movimento geral de clientes. O medo da adulteração levou os consumidores a migrarem para opções percebidas como mais seguras, como a cerveja. Enquanto os bares se ajustam com suspensões de venda e maior rigor na checagem de fornecedores, a crise demonstra a fragilidade da confiança no setor de bebidas alcoólicas e reforça a necessidade de fiscalização e atenção máxima à procedência dos insumos.
Com Informações do site: G1
