A Conexão entre Postos “Corinthians” e a Operação Carbono Oculto
Três unidades de postos de combustíveis que utilizam oficialmente a marca do Corinthians, com divulgação no site do próprio clube, estão situadas em endereços cujos registros na Agência Nacional do Petróleo (ANP) apontam como pertencentes a indivíduos sob investigação. Estes indivíduos são alvos da Operação Carbono Oculto, uma ação deflagrada em agosto, considerada a maior já realizada com foco no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação investiga crimes como lavagem de dinheiro, fraude tributária e organização criminosa.
O Contexto da Operação Carbono Oculto e os Empresários Envolvidos
A Operação Carbono Oculto buscou desmantelar um vasto esquema do PCC. Levantamentos indicam que pelo menos 251 postos de combustíveis estão de alguma forma vinculados a 16 alvos da operação em quatro estados do país. No caso específico dos postos licenciados pelo Corinthians, localizados na Zona Leste de São Paulo, verificou-se que estão associados a nomes-chave na investigação.
O Posicionamento do Corinthians Sobre o Licenciamento da Marca
O Sport Club Corinthians Paulista, ao ser questionado sobre a situação, esclareceu que não é o administrador direto dos postos de gasolina em questão. O clube informou que as unidades operam sob um contrato de licenciamento de marca com uma empresa terceirizada, responsável por intermediar o acordo com os proprietários dos postos.
Acompanhamento e Possíveis Medidas Jurídicas
O Corinthians afirmou que está acompanhando de perto o desenrolar das investigações. O clube deixou claro que se reserva o direito de adotar medidas jurídicas cabíveis em relação aos contratos de licenciamento, caso as apurações confirmem a necessidade de rescisão ou outras ações legais para proteger a imagem e os interesses da instituição.
Identificação dos Postos e Vínculos Societários
Os três postos oficiais, que operam como “Posto Corinthians” e não possuem bandeira específica de distribuidora (bandeira branca), estão localizados em São Paulo e possuem as seguintes razões sociais registradas na ANP:
- Auto Posto Mega Líder Ltda
- Auto Posto Mega Líder 2 Sociedade Unipessoal Ltda
- Auto Posto Rivelino Ltda
As Ligações com os Investigados pela Justiça
O posto Rivelino aparece associado a Pedro Furtado Gouveia Neto na Receita Federal, enquanto a autorização na ANP indica Himad Abdallah Mourad como sócio. Ambos são citados nas investigações como parte do grupo chefiado por Mohamad Hussein Mourad, apontado como figura central no esquema do PCC. Mourad e Neto são descritos como peças relevantes na administração de dezenas de postos ligados à rede.
Os outros dois postos, Mega Líder e Mega Líder 2, estão ligados a Luiz Ernesto Franco Monegatto, que também é alvo da Operação Carbono Oculto. A Justiça o cita como sócio em empresas de combustíveis e transações imobiliárias associadas à lavagem de capitais do grupo de Mohamad.
Irregularidades Cadastrais e Investigações Paralelas
Uma inconsistência foi identificada em um dos postos. O Posto Mega Líder possui o nome “Auto Posto Mega Líder Ltda” na Receita Federal, mas na ANP está vinculado ao nome “Auto Posto Timão Ltda.” (referência a um apelido do clube). A ANP considerou a divergência uma irregularidade cadastral e informou que notificará as empresas para a devida atualização, podendo revogar a autorização de funcionamento em caso de descumprimento.
Suspeitas no Ministério Público de São Paulo
Adicionalmente, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) está investigando uma possível infiltração do grupo criminoso em antigas gestões do Corinthians, para além da questão dos postos. As investigações abrangem o aluguel de imóveis usados por jogadores masculinos do time, supostamente locados de um membro da facção.
Conclusão:
A situação envolvendo os postos licenciados com a marca Corinthians e os alvos da Operação Carbono Oculto coloca o clube de futebol em uma posição delicada. Embora o Corinthians alegue que sua participação se restringe ao contrato de licenciamento da marca, sem administração direta, a ligação dos proprietários dos postos com a maior investigação já realizada contra o PCC exige uma resposta firme. O clube afirma que acompanha as apurações e considera adotar medidas jurídicas nos contratos. As investigações do MP-SP sobre possíveis infiltrações da facção em antigas gestões do clube adicionam complexidade ao cenário, indicando que a apuração das conexões do PCC com o ambiente corintiano pode ir além do ramo de combustíveis.
Com Informações do site: G1
